O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes â Detesto que vocĂȘ fique mexendo nessas coisas na minha presença â exclamou, imperiosa, a mocinha, sem dar ao convidado tempo de responder. Cathy ainda nĂŁo recobrara a calma apĂłs a breve discussĂŁo com Heathcliff.
â Lamento muito, senhorita â foi minha resposta, e prossegui, dedicada, com a tarefa.
Supondo que Edgar nĂŁo pudesse vĂȘ-la, Catherine arrancou o pano de minha mĂŁo e me beliscou, com toda força, no braço.
JĂĄ lhe disse que nĂŁo gostava dela e sentia satisfação em frustrar sua vaidade, de vez em quando; alĂ©m disso, o beliscĂŁo tinha doĂdo muito, entĂŁo levantei-me e gritei:
â Ah, senhorita, onde jĂĄ se viu? NĂŁo tem o direito de me beliscar e nĂŁo vou tolerar isso!
â NĂŁo toquei em vocĂȘ, sua mentirosa! â exclamou ela, os dedos prontos para repetir o beliscĂŁo e as orelhas rubras de raiva. Nunca conseguia esconder sua ira, que sempre deixava seu rosto em brasa.
â O que Ă© isto, entĂŁo? â retorqui, mostrando uma marca roxa bastante nĂtida como prova do que fizera.
Cathy bateu o pĂ©, hesitou por um momento e entĂŁo, impelida de modo irresistĂvel por seu espĂrito malcriado, deu-me um tapa na cara, uma bofetada que fez com que meus olhos se enchessem de lĂĄgrimas.