O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes 5. Em sua caracterização de Heathcliff, Lockwood romantiza a imagem de seu senhorio. “Cigano de pele escura” parece uma imagem mais pautada por estereótipos literários (próprios às pretensões esclarecidas da personagem) do que por algum nível de objetividade, e reforça a percepção da origem indeterminada. Literariamente, da perspectiva de Lockwood, tal descrição acaba por alinhar Heathcliff a uma tradição de personagens marcadas pelo mistério e pelo exotismo (quando não pela hybris trágica), cujo melhor exemplo é o mouro Otelo, de Shakespeare – no qual se digladiam a civilidade dos modos e a natureza indomável representada pelo ciúme.
6. Os “porcos possessos” remetem ao episódio do Evangelho de Lucas em que Jesus, quando em visita à região dos gerasenos, apazigua um homem possuído por demônios. Diante de uma vara de porcos, os demônios pediram a Jesus para invadir os animais, o que prontamente lhes foi concedido: “E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago, e afogou-se.” (Lucas 8:33)