O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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– Nelly, Ă© vocĂȘ?

Era uma voz profunda, e nĂŁo pude reconhecĂȘ-la, mas havia algo na forma de pronunciar meu nome que a fazia soar familiar. Virei-me para ver quem falava, apreensiva, pois as portas estavam fechadas e eu nĂŁo vira ninguĂ©m se aproximar dos degraus.

Algo se moveu no alpendre. Ao me aproximar, distingui um homem alto vestindo roupas escuras, rosto e cabelos também escuros. Ele se apoiava na moldura da porta e tinha os dedos na tranca, como se pretendesse abri-la.

“Quem será?”, pensei. “O sr. Earnshaw? Não! A voz não se parece em nada com a dele.”

– Faz uma hora que estou esperando – prosseguiu ele, enquanto eu o fitava –, e, durante esse tempo, nada por aqui se moveu, como se todos tivessem morrido. Não tive coragem de entrar. Não me reconhece? Olhe bem, não sou um estranho!

O luar iluminou seu rosto. As faces eram pĂĄlidas e meio cobertas por um bigode preto, a testa carregada, os olhos fundos e muito singulares. Eu me lembrava daqueles olhos.

– O quĂȘ! – exclamei, sem saber se devia considerĂĄ-lo um visitante deste mundo, e ergui as mĂŁos, espantada. – O quĂȘ! VocĂȘ voltou? É mesmo vocĂȘ?


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