O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Meu nome era Isabella Linton – respondi. – O senhor me conhece. Casei-me faz pouco tempo com o sr. Heathcliff, que me trouxe para cá... com a sua permissão, suponho.
– Ele voltou, então? – perguntou o eremita, os olhos brilhando como os de um lobo faminto.
– Sim, acabamos de chegar – respondi. – Mas ele me deixou na porta da cozinha, e, quando tentei entrar, seu filho fez as vezes de sentinela e me obrigou a sair, com a ajuda de um buldogue.
– Ainda bem que aquele desgraçado dos diabos manteve a palavra! – grunhiu meu futuro anfitrião, procurando ver, na escuridão atrás de mim, se conseguia descobrir Heathcliff, e então enveredando por um solilóquio de execrações e ameaças do que teria feito se o “demônio” o tivesse enganado.
Arrependi-me de ter tentado aquela segunda entrada e estava quase inclinada a ir embora sem esperar que ele acabasse de praguejar, mas, antes que pudesse levar a cabo minhas intenções, ele me mandou entrar, fechando e trancando em seguida a porta.
O fogo ardia alto na lareira, e essa era toda a luz que havia no aposento, cujo chão ganhara um tom uniforme de cinza. Os pratos de estanho, outrora brilhantes e que costumavam atrair meu olhar quando eu era menina, compartilhavam da mesma opacidade, criada pelo azinhavre e pela poeira.