O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes À NOITE CHUVOSA sucedera-se uma manhã enevoada – parte geada, parte chuvisco –, e riachos temporários cruzavam nosso caminho, gorgolejando desde as partes mais elevadas do terreno. Meus pés estavam completamente encharcados; eu estava irritada e desanimada, estado de espírito perfeito para tornar tudo ainda mais desagradável.
Entramos na casa pela porta da cozinha, a fim de nos certificarmos de que o sr. Heathcliff estava mesmo ausente – pois eu não me fiava muito na afirmativa dele.
Joseph parecia estar sozinho, numa espécie de paraíso, sentado diante de um fogo crepitante, uma caneca de cerveja e vários biscoitos de aveia na mesa ao seu lado, e o cachimbo preto e curto na boca.
Catherine correu até a lareira para se aquecer. Perguntei se o patrão estava. Minha pergunta ficou tanto tempo sem resposta que supus que o velho ficara surdo e a repeti, num tom de voz mais alto.
– Nã... ão! – rosnou ele, ou, antes, gritou pelo nariz. – Nã... ão! Vocês têm que voltar para o lugar de onde vieram.
– Joseph! – gritou uma voz impertinente, ao mesmo tempo que eu, vinda lá de dentro. – Quantas vezes vou ter que chamá-lo? Só restam umas poucas brasas. Joseph! Venha imediatamente.