O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes ââ Sente-se e tire o chapĂ©u, Catherine â respondeu ele. â VocĂȘ Ă© tĂŁo mais feliz do que eu, deveria tambĂ©m ser melhor. O papai fala tanto dos meus defeitos e demonstra tanto desprezo por mim que Ă© natural que eu seja inseguro. Com frequĂȘncia me pergunto se nĂŁo sou mesmo tĂŁo completamente desprezĂvel quanto ele diz que sou. Sinto-me, entĂŁo, tĂŁo zangado e amargurado que odeio todo mundo! Sou desprezĂvel e tenho um gĂȘnio ruim, e pensamentos ruins, quase sempre. Se quiser, pode me dizer adeus: vai se livrar de um aborrecimento. SĂł lhe peço, Catherine, para me fazer uma justiça: acredite que se eu pudesse ser tĂŁo amĂĄvel, gentil e bom quanto vocĂȘ, eu seria. TĂŁo bem-disposto, e tĂŁo feliz e saudĂĄvel quanto vocĂȘ. E acredite que sua gentileza fez com que eu a amasse ainda mais do que se merecesse o seu amor. E embora eu nĂŁo pudesse e nĂŁo possa evitar lhe mostrar minha verdadeira natureza, lamento muito, e me arrependo de tudo, e hei de lamentar e de me arrepender atĂ© a morte!
âSenti que ele falava a verdade, e senti que devia perdoĂĄ-lo â e que, embora pudĂ©ssemos brigar no momento seguinte, deveria voltar a perdoĂĄ-lo. Fizemos as pazes, mas choramos, nĂłs dois, durante todo o tempo em que ali fiquei; nĂŁo inteiramente movida por pena, embora eu tivesse pena de Linton por ter aquela natureza tĂŁo deturpada. Ele nunca vai fazer com que seus amigos se sintam bem, e nunca hĂĄ de se sentir bem ele prĂłprio!