O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes â ESSAS COISAS ACONTECERAM no inverno passado â disse a sra. Dean â, faz pouco mais de um ano. No inverno passado, nĂŁo poderia imaginar que ao cabo de doze meses eu as estaria contando para distrair uma pessoa estranha Ă famĂlia! Contudo, quem sabe dizer por quanto tempo o senhor vai permanecer um estranho? Ă jovem demais para se contentar em viver sozinho, e imagino que ninguĂ©m possa ver Catherine Linton e nĂŁo a amar. O senhor sorri; mas por que se mostra sempre tĂŁo animado e interessado quando falo dela? E por que me pediu que pendurasse seu retrato sobre a lareira? E por que...
â Chega, minha amiga! â exclamei. â Ă bem possĂvel que eu a ame, mas serĂĄ que ela viria a me amar? A dĂșvida Ă© grande demais para que eu arrisque minha tranquilidade e caia em tentação; alĂ©m disso, nĂŁo sou daqui. Pertenço a um mundo ativo, ocupado, e aos seus braços devo regressar. Mas prossiga. Catherine obedeceu Ă s ordens do pai?
â Obedeceu â prosseguiu a governanta. â Seu afeto por ele ainda era o sentimento predominante em seu coração. E ele falou sem ira, com a profunda ternura de alguĂ©m prestes a deixar seu tesouro em meio a perigos e inimigos, onde as palavras que dissesse seriam a Ășnica ajuda que poderia lhe legar a fim de guiĂĄ-la. Disse-me, alguns dias depois: