O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Tinha a ideia fixa, como pude deduzir pelas várias observações que deixou escapar, de que, tal como o sobrinho se assemelhava a ele fisicamente, também haveria de se assemelhar em espírito, pois as cartas de Linton nada ou quase nada revelavam dos defeitos de seu caráter. E eu, por uma fraqueza perdoável, não corrigia o equívoco; perguntava-me de que adiantaria perturbar seus últimos momentos com informações sobre as quais ele não tinha poder nem oportunidade de agir.

Deixamos nosso passeio para a tarde, uma tarde dourada de agosto. Cada sopro que vinha das colinas era tão cheio de vida que parecia que quem respirasse aquele ar, mesmo estando moribundo, poderia reviver.

O rosto de Catherine estava igual à paisagem – sombras e luz do sol se alternando em rápida sucessão; mas as sombras permaneciam por mais tempo, e o sol era mais efêmero, e seu pobre coraçãozinho se recriminava até mesmo por aquele passageiro esquecimento de suas inquietações.

Avistamos Linton nos aguardando no mesmo lugar que escolhera na semana anterior. Minha jovem ama desmontou e me disse que, como tinha decidido ficar muito pouco tempo, era melhor eu segurar o pônei e continuar em meu cavalo, mas não concordei: não queria, nem por um minuto, perder de vista a moça, que estava aos meus cuidados, então subimos juntas a encosta recoberta pela urze.


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