O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes O sr. Heathcliff fez uma pausa e enxugou a testa; o cabelo estava colado a ela, molhado de suor. Seus olhos estavam fixos nas brasas vermelhas do fogo; as sobrancelhas não estavam contraídas, mas levantadas junto às têmporas, o que diminuía o ar severo de seu rosto mas o deixava com um aspecto peculiar de perturbação e uma aparência de tensão mental provocada por um assunto que o absorvia. Mal se dirigia a mim, e eu permanecia em silêncio. Não gostava de ouvi-lo falar!
Após um breve período ele voltou a fitar pensativo o retrato, tirou-o da parede e o apoiou contra o sofá, para melhor contemplá-lo; enquanto isso, Catherine entrou, anunciando que estava pronta e que só faltava selar seu pônei.
– Mande-me isso amanhã – ordenou-me Heathcliff; voltando-se para ela, acrescentou: – Não vai precisar do pônei. Está uma noite agradável, e não vai precisar de pôneis em Wuthering Heights; para os passeios que fizer, seus próprios pés vão lhe bastar. Vamos.
– Adeus, Ellen! – murmurou minha querida patroazinha. Quando me beijou, seus lábios estavam frios como gelo. – Venha me visitar; não se esqueça.
– Cuidado para não fazer tal coisa, sra. Dean! – ameaçou-me seu novo pai. – Quando quiser lhe falar, venho até aqui. Não quero nenhum de vocês bisbilhotando a minha casa!