O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes “Como eles conseguiam viver juntos, não sei. Imagino que ele se queixasse muito e gemesse noite e dia, e ela não descansasse quase nada; a gente percebia pelo rosto pálido e os olhos pesados. Às vezes vinha até a cozinha com ar desnorteado, como se quisesse pedir ajuda, mas eu não ia desobedecer ao patrão... nunca me atrevo a desobedecê-lo, sra. Dean. E embora achasse que não era correto não mandar chamar o dr. Kenneth, não era da minha conta dar conselhos nem reclamar, e sempre me recusei a me meter nos assuntos deles.
“Uma ou duas vezes, depois que tínhamos todos ido para a cama, abri a porta do meu quarto de novo e pude vê-la sentada chorando no alto da escada; voltei a fechar a porta depressa, com medo de acabar amolecendo e interferindo. Tinha pena dela, sem dúvida, mas não queria perder meu emprego, a senhora entende. Por fim, certa noite, ela entrou decidida no meu quarto, assustando-me muito ao dizer:
“– Vá avisar ao sr. Heathcliff que o filho dele está morrendo. Desta vez tenho certeza. Levante-se agora mesmo e vá avisá-lo!
“Disse essas palavras e sumiu de novo. Fiquei uns quinze minutos em silêncio, atenta e tremendo. Nada se movia. A casa estava quieta.