O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes “Puxou uma cadeira e colocou a certa distância de nós dois. Sentando-se ali imóvel até se aquecer, começou então a olhar ao redor e descobriu vários livros no aparador. Pôs-se imediatamente de pé outra vez, esticando os braços para apanhá-los; mas estavam altos demais. O primo, após observar suas tentativas por algum tempo, por fim reuniu coragem para ajudá-la. Ela segurou o vestido e ele colocou ali o primeiro livro que apanhou.
“Foi um grande avanço para o rapaz. Ela não lhe agradeceu, mas ainda assim Hareton se sentiu grato por ter aceitado sua ajuda, atreveu-se a ficar de pé atrás dela, enquanto a prima examinava os livros, e até se inclinou e apontou certas antigas imagens que apreciava nos volumes. Não se deixou intimidar pelo modo impertinente como ela virava a página com força sob o dedo dele, contentou-se em se afastar um pouco e olhar para ela em vez de para o livro.
“Ela continuou lendo ou procurando algo para ler. A atenção dele foi ficando, aos poucos, bastante concentrada em seus cachos louros e sedosos. Não podia ver seu rosto, nem ela o dele. E talvez, não totalmente consciente do que fazia, mas atraído feito uma criança por uma vela, passou por fim do olhar ao toque. Estendeu a mão e acariciou um cacho, tão gentilmente como se por acaso se tratasse de um passarinho. Ela reagiu como se ele tivesse enfiado uma faca em seu pescoço: