O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes “Nelly, há uma estranha mudança se aproximando; encontro-me em sua sombra, neste momento. Tenho tão pouco interesse em minha vida diária que mal me lembro de comer e beber. Esses dois que acabaram de sair da sala são a única coisa que retém uma aparência material distinta para mim, e essa aparência causa-me uma dor que beira a agonia. Sobre ela não vou falar, e nela não desejo pensar; mas sinceramente gostaria que fosse invisível... sua presença só evoca sensações enlouquecedoras. Ele me move de outra forma; ainda assim, se eu pudesse fazer isso sem parecer louco, nunca mais voltaria a vê-lo! Se eu tentar lhe descrever as mil associações e ideias que ele desperta ou encarna, você talvez me ache mesmo à beira da loucura”, acrescentou, fazendo um esforço para sorrir. “Mas você não há de querer falar por aí sobre isso, e minha mente está sempre tão fechada em si mesma que é tentador abri-la por fim para alguém.
“Há cinco minutos, Hareton parecia uma personificação da minha juventude, e não um ser humano. Meus sentimentos por ele foram tão variados nesse momento que seria impossível dirigir-me a ele de forma racional.