Aventuras de Alice no país das maravilhas
Aventuras de Alice no país das maravilhas “Bem, eu nunca ouvi isso antes”, disse a Tartaruga Falsa; “mas parece um disparate descomunal.”
Alice não disse nada; sentara-se com a cabeça nas mãos, perguntando a si mesma se algum dia alguma coisa voltaria a acontecer de maneira natural.
“Gostaria que me explicasse isso”, pediu a Tartaruga Falsa.
“Ela não tem como explicar”, impacientou-se o Grifo. “Continue com o verso seguinte.”
“Mas e aquilo sobre as pontas dos pés? Entende? Como ela podia separar as pontas dos pés com a fuça?”
“É a primeira posição no balé”,6 ensinou Alice; mas estava terrivelmente desorientada com aquilo tudo e só queria mudar de assunto.
“Continue com o próximo verso”, repetiu o Grifo, impaciente; “começa com ‘passei pelo seu jardim’.”
Alice não ousou desobedecer e, embora tivesse certeza de que ia sair tudo errado, continuou, com uma voz trêmula:
Passei pelo seu jardim e notei que atrás da porta
A Coruja e a Pantera dividiam uma torta.
A Pantera, bem gulosa, comia massa e recheio,
Enquanto para a Coruja sobravam os caroços do meio.
Quando a torta acabou, a Coruja não pôde sequer
Ter por recompensa uma lambida na colher.
Enquanto isso a Pantera com a faca e o garfo ficou,