Aventuras de Alice no país das maravilhas
Aventuras de Alice no país das maravilhas Pobre Alice! O máximo que conseguiu, deitada de lado, foi olhar para o jardim com um olho só; chegar lá estava mais impossível que nunca: sentou-se e começou a chorar de novo.
“Devia ter vergonha”, disse Alice, “uma menina grande como você” (bem que podia dizer isso), “chorando dessa maneira! Pare já, já, estou mandando!” Mesmo assim continuou, derramando galões de lágrimas, até que à sua volta se formou uma grande lagoa, com cerca de meio palmo de profundidade e se estendendo até a metade do salão.
Passado algum tempo, ouviu uns passinhos à distância e enxugou as lágrimas mais que depressa para ver o que estava chegando. Era o Coelho Branco de volta, esplendidamente vestido, com um par de luvas brancas de pelica em uma das mãos e um grande leque na outra: vinha a toda pressa, muito afobado, murmurando consigo: “Oh, a Duquesa, a Duquesa! Oh! Como vai ficar furiosa se eu a tiver feito esperar!” Alice estava tão desesperada que se sentia disposta a pedir ajuda a qualquer um; assim, quando o Coelho Branco se aproximou, começou, com uma vozinha baixa, tímida: “Por gentileza, Sir…” O Coelho teve um forte sobressalto, deixou cair as luvas brancas de pelica e o leque, e escapuliu para a escuridão o mais depressa que pôde.2
