Aventuras de Alice no país das maravilhas

Aventuras de Alice no país das maravilhas

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A porta dava diretamente para uma cozinha ampla, enfumaçada de ponta a ponta: a Duquesa1 estava sentada no meio, num tamborete de três pés, ninando um bebê; a cozinheira estava debruçada sobre o fogo, mexendo um caldeirão enorme que parecia cheio de sopa.

“Com certeza há pimenta demais naquela sopa!”2 Alice disse consigo, tanto quanto podia julgar por seus espirros.

No ar, sem dúvida havia muita. Até a Duquesa espirrava de vez em quando; quanto ao bebê, espirrava e berrava sem um minuto de trégua. As duas únicas criaturas que não espirravam na cozinha eram a cozinheira e um gato grande que estava deitado junto ao forno, sorrindo de orelha a orelha.

“Por favor, poderia me dizer”, perguntou Alice um pouco tímida, pois não sabia se era de bom tom falar em primeiro lugar, “por que seu gato tanto sorri?”

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“É um gato de Cheshire”,3 disse a Duquesa, “é por isso. Porco!”

Disse a última palavra com tão súbita violência que Alice deu um pulo; mas num instante viu que era dirigida ao bebê, não a si. Diante disso, tomou coragem e continuou:

“Não sabia que os gatos de Cheshire sempre sorriem; na verdade, não sabia que gatos podiam sorrir.”


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