O pobre de direita
O pobre de direita Essa elite também controla a linguagem: redefine pobreza como “empreendedorismo”, miséria como “autonomia”, e exclusão como “liberdade de escolha”. Usa a ciência para justificar a desigualdade, as estatísticas para esconder a violência estrutural, e o marketing para transformar opressores em heróis. Seu poder não está em aparecer, mas em moldar o que todos acreditam ser verdade. É a classe que domina sem governar diretamente, mas que sustenta, com sua expertise, a arquitetura invisível da opressão.
A ascensão da extrema direita é vendida como rebelião popular contra as elites, mas, na prática, é uma revolta manipulada a serviço dos próprios dominadores. O discurso populista promete “acabar com tudo isso que está aí”, mas nunca toca nos verdadeiros privilégios dos ricos, nem ameaça o sistema que produz a exclusão em massa. O que se ataca, na verdade, são as conquistas dos mais pobres, as políticas de inclusão e os direitos sociais. A extrema direita é, portanto, uma contra-revolução disfarçada de revolta.
