Poemas

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De nos deixarmos ir e viver pela Terra

E levar ao colo pelas Estações contentes

E deixar que o vento cante para adormecermos

E não termos sonhos no nosso sono.

XXXVII

COMO UM GRANDE borrão de fogo sujo

O sol posto demora-se nas nuvens que ficam.

Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.

Debe ser dum comboio longínquo.

Neste momento vem-me uma vaga saudade

E um vago desejo plácido

Que aparece e desaparece.

Também às vezes, à flor dos ribeiros,

Formam-se bolhas na água

Que nascem e se desmancham

E não têm sentido nenhum

Salvo serem bolhas de água

Que nascem e se desmancham.

XXXVIII

BENDITO SEJA o mesmo sol de outras terras

Que faz meus irmãos todos os homens

Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu,


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