O Mandarim

O Mandarim

🎯 ¿Cansado de los anuncios?
Elimínalos ahora 🚀

Eram onze horas quando desci ao meu beliche. As luzes já estavam apagadas: mas a lua que se erguia ao nivel da agua, redonda e branca, batia o vidro da cabine com um raio de claridade: e então, a essa meia tinta pallida, lá vi estirada sobre a maca a figura pançuda, vestida de sêda amarella, com o seu papagaio nos braços!

Era elle, outra vez!

E foi elle, perpetuamente! Foi elle em Singapura e em Ceylão. Foi elle erguendo-se dos areaes do deserto ao passarmos no canal de Suez; adiantando-se á prôa d'um barco de provisões quando parámos em Malta; resvalando sobre as rosadas montanhas da Sicilia; emergindo dos nevoeiros que cercam o morro de Gibraltar! Quando desembarquei em Lisboa, no caes das Columnas, a sua figura bojuda enchia todo o arco da rua Augusta; o seu olho obliquo fixava-me—e os dois olhos pintados do seu papagaio pareciam fixar-me tambem...

VIII

Então, certo que não poderia jámais aplacar Ti-Chin-Fú, toda essa noite no meu quarto ao Loreto, onde como outr'ora as velas innumeraveis das serpentinas davam aos damascos tons de sangue fresco, meditei sacudir de mim, como um adorno de peccado, esses milhões sobrenaturaes. E assim me libertaria talvez d'aquella pança e d'aquelle papagaio abominavel!


👉 Baixar o audiolivro GRÁTIS na Amazon
Relatar problema / sugestões

eXTReMe Tracker