O Mandarim

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PROLOGO

1.º Amigo (bebendo Cognac e soda, debaixo d'arvores, n'um terraço, á beira d'agua)

Camarada, por estes calores do estio que embotam a ponta da sagacidade, repousemos do aspero estudo da Realidade humana... Partamos para os campos do Sonho, vaguear por essas azuladas collinas romanticas onde se ergue a torre abandonada do Sobrenatural, e musgos frescos recobrem as ruinas do Idealismo... Façamos phantasia!...

2.º Amigo

Mas sobriamente, camarada, parcamente!... E como nas sabias e amaveis Allegorias da Renascença, misturando-lhe sempre uma Moralidade discreta...

(Comedia Inedita).

I

Eu chamo-me Theodoro—e fui amanuense do Ministerio do Reino.

N'esse tempo vivia eu á travessa da Conceição n.º 106, na casa d'hospedes da D. Augusta, a esplendida D. Augusta, viuva do major Marques. Tinha dois companheiros: o Cabrita, empregado na Administração do bairro central, esguio e amarello como uma tocha d'enterro; e o possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola franceza.


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