O Mandarim
O Mandarim Tudo isto, por vezes, me apparecia como um programma indefinido, nevoento, pueril e idealista. Mas já o desejo d'esta aventura original e epica me envolvera; e eu ia, arrebatado por elle, como uma folha secca n'uma rajada.
Anhelei, suspirei por pisar a terra da China!—Depois d'altos preparativos, apressados a punhados d'oiro, uma noite parti emfim para Marselha. Tinha alugado todo um paquete, o Ceylão. E na manhã seguinte, por um mar azul-ferrete, sob o vôo branco das gaivotas, quando os primeiros raios do sol ruborisavam as torres de Nossa Senhora da Guarda, sobre o seu rochedo escuro—puz a prôa ao Oriente.
D'ahi subimos pelo rio Azul a Tien-Tsin n'um pequeno steamer da Companhia Russel. Eu não vinha visitar a China n'uma curiosidade ociosa de touriste: toda a paizagem d'essa provincia, que se assemelha á dos vasos de porcelana, d'um tom azulado e vaporoso, com collinasinhas calvas e de longe a longe um arbusto bracejante, me deixou sombriamente indifferente.
