A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch — Ah, foi terrível! Nos últimos não digo minutos, mas horas, ele não parou de gritar. Gritou sem cessar três dias seguidos. Era intolerável. Não consigo compreender como suportei isto; ouvia-se tudo, atrás de três portas. Ah! o que tive de sofrer!
— Mas será que ele tinha consciência de tudo?—perguntou Piotr Ivânovitch.
— Sim—murmurou ela—,até o último instante. Despediu-se de nós um quarto de hora antes de morrer, e ainda pediu que levássemos dali Volódia (Diminutivo de Vladímir. (N. do T.)).
De repente, Piotr Ivânovitch horrorizou-se com a lembrança do sofrimento de um homem que ele conhecera tão intimamente, a princípio como um menino alegre, um escolar, depois como um parceiro adulto, no jogo, e horrorizou-se não obstante a consciência desagradável do fingimento dele e dessa mulher. Tornou a ver aquela testa, o nariz que parecia comprimir o lábio, e ficou com medo por si mesmo.