A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch Certa vez, houve até em casa deles uma recepção com danças. Ivan Ilitch sentia-se alegre, e tudo estava bem, somente aconteceu uma grande briga com a mulher, por causa de tortas e bombons. Prascóvia Fiódorovna tinha o seu plano, e Ivan Ilitch insistiu em que se encomendasse tudo numa confeitaria cara, e comprou ali muitas tortas: ocorreu a briga porque sobrou uma parte, e o confeiteiro apresentou uma conta de quarenta e cinco rublos. A briga foi grande e desagradável, e Prascóvia Fiódorovna disse: “Imbecil, pamonha”. Ele pôs as mãos à cabeça e, fora de si, aludiu ao divórcio. Mas a própria recepção passara-se alegremente. Estiveram nela pessoas da melhor sociedade, e Ivan Ilitch dançara com a condessa Trufônova, irmã daquela que é conhecida como fundadora da sociedade “Afasta a minha aflição”. As alegrias no serviço eram alegrias do amor-próprio; as alegrias em sociedade eram alegrias da vaidade; mas as verdadeiras alegrias de Ivan Ilitch eram as do uíste. Ele confessava que, depois de tudo, depois de quaisquer ocorrências infaustas de sua vida, a alegria que ardia como uma vela ante todas as demais era sentar-se ao uíste com bons parceiros, avessos ao estardalhaço, sem falta em quatro (em cinco, era muito penoso quando chegava a nossa vez de ficar de fora, embora se fingisse ter com isto muito prazer), e levar avante um jogo inteligente, sério (quando as cartas ajudam), depois jantar e tomar um copo de vinho. Ivan Ilitch ia dormir particularmente bem-humorado depois do uíste, sobretudo quando tinha a seu favor um ganho modesto (se este era grande, tinha uma sensação desagradável).