A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch Ivan Ilitch saiu devagar, sentou-se merencório no trenó e foi para casa. No decorrer de todo o percurso, ele reexaminava tudo o que dissera o médico, esforçando-se por traduzir para uma linguagem simples todos aqueles termos científicos confusos e ler neles uma resposta ao seguinte: estou muito mal ou, por enquanto, não é grave? Tinha a impressão de que o sentido das palavras do médico era que estava muito doente. Nas ruas, tudo lhe pareceu triste. Estavam tristes os cocheiros, as casas, os transeuntes, as vendas. E essa dor, uma dor surda, abafada, que não cessava um segundo sequer, parecia receber, em consequência das palavras imprecisas do médico, um significado novo, mais sério. Ivan Ilitch prestava agora atenção a ela com um sentimento penoso diferente.
Chegando em casa, começou a contar tudo à mulher. Esta o ouviu, mas, quando ele estava no meio do relato, entrou a filha, que estava de chapeuzinho: preparava-se para sair com a mãe. Fazendo um esforço, ela sentou-se para ouvir essa sensaboria, mas não a suportou por muito tempo, e a mãe também não ouviu até o fim.
— Bem, estou muito contente—disse a mulher—e agora, cuide de tomar regularmente o remédio. Passe cá a receita, vou mandar Guerássim à farmácia.—E foi se vestir.