A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch “Aí está, morreu; e eu não”—pensou ou sentiu cada um. Quanto aos conhecidos mais próximos, os assim chamados amigos de Ivan Ilitch, pensaram então involuntariamente também que precisavam, agora, cumprir umas obrigações muito cacetes, ir às exéquias, e também fazer uma visita de pêsames à viúva.
Os mais chegados ao extinto eram Fiódor Vassílievitch e Piotr Ivânovitch.
Este último fora seu colega na Faculdade de Direito e considerava-se com certas obrigações para com Ivan Ilitch.
Depois de comunicar à mulher, durante o jantar, a notícia da morte e algumas considerações sobre a possibilidade da transferência do cunhado para a mesma comarca, Piotr Ivânovitch nem se deitou para descansar, mas vestiu o fraque e dirigiu-se à casa de Ivan Ilitch.
Uma carruagem e dois cocheiros estavam parados à entrada do prédio. Embaixo, na antessala, junto ao cabide, estava encostada à parede a tampa do caixão, coberto de brocado, com pompons e galões lustrados. Duas senhoras de preto estavam tirando as peliças dos que chegavam. Uma era conhecida, a irmã de Ivan Ilitch, a outra desconhecida. Schwartz, colega de Piotr Ivânovitch, estava vindo de cima e, tendo visto de um degrau superior aquele que entrava, parou e piscou-lhe um olho, como que dizendo: “O que Ivan Ilitch fez foi uma tolice; você e eu somos de outro estofo”.