A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch O exemplo de silogismo que ele aprendera na Lógica de Kiesewetter: Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, parecera-lhe, durante toda a sua vida, correto somente em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele. Tratava-se de Caio-homem, um homem em geral, e neste caso era absolutamente justo; mas ele não era Caio, não era um homem em geral, sempre fora um ser completa e absolutamente distinto dos demais; ele era Vânia (Diminutivo de Ivan. (N. do T.)), com mamãe, com papai, com Mítia e Volódia (Diminutivos de Dmítri e Vladímir, respectivamente. (N. do T.)), com os brinquedos, o cocheiro, a babá, depois com Kátienka (Diminutivo de Iecatierina (Catarina). (N. do T.)), com todas as alegrias, tristezas e entusiasmos da infância, da juventude, da mocidade. Existiu porventura para Caio aquele cheiro da pequena bola de couro listada, de que Vânia gostara tanto?! Porventura Caio beijava daquela maneira a mão da mãe, acaso farfalhou para ele, daquela maneira, a seda das dobras do vestido da mãe? Fizera um dia tanto estardalhaço na Faculdade de Direito, por causa de uns pirojki (Espécie de bolinhos recheados. (N. do T.))? Estivera Caio assim apaixonado? E era capaz de conduzir assim uma sessão de tribunal?