A Morte de Ivan Ilitch

A Morte de Ivan Ilitch

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E, procurando escapar a esta condição, Ivan Ilitch buscava consolo, procurava outros biombos, e estes apareciam e por algum tempo pareciam salvá-lo, mas imediatamente não é que desabassem de todo, mais propriamente tornavam-se transparentes, como se ela atravessasse tudo e nada pudesse encobri-la.

Nos últimos tempos, acontecia-lhe entrar na sala de visitas, que fora arrumada por ele, a mesma sala em que caíra e para o arranjo da qual, como agora pensava com um sarcasmo penetrante, ele sacrificara a vida, pois sabia que a sua doença começara com aquela machucadura, acontecia-lhe entrar ali e ver que na mesa envernizada havia uma incisão provocada por algo. Procurava a causa e encontrava-a num enfeite de bronze de um álbum, vergado num canto. Apanhava o álbum caro, arrumado por ele com tanto amor, e magoava-se com o relaxamento da filha e dos amigos desta: ora havia rasgões, ora os retratos estavam virados. Cuidadosamente, punha isto em ordem, tornava a dobrar o enfeite.

Depois, acudia-lhe a ideia de transferir para outro canto, para junto das flores, todo esse établissement com os álbuns. Chamava um criado: acudiam sua filha ou a mulher; não concordavam, contraditavam-no, ele discutia, zangava-se; mas tudo estava bem, porque Ivan Ilitch não se lembrava dela, ela não era visível.


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