A Morte de Ivan Ilitch

A Morte de Ivan Ilitch

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Sempre o mesmo. Ora brilha uma gota de esperança, ora tumultua um mar de desespero, e sempre a dor, sempre a dor, sempre a angústia, é sempre o mesmo. Sozinho, sente uma angústia terrível, dá vontade de chamar alguém, mas sabe de antemão que, em presença de outras pessoas, é pior ainda. “Seria bom tomar ainda morfina, alcançar o esquecimento. Vou dizer ao médico que invente mais alguma coisa. Assim, é impossível, impossível.”

Passam-se assim uma, duas horas. Mas eis que um toque ressoa na antessala. Talvez seja o médico. De fato é ele, fresco, animado, gordo, alegre, com a expressão de quem diz: vocês aí se assustaram, mas num instante vamos dar um jeito em tudo. O médico sabe que esta expressão não serve ali, mas ele vestiu-a para sempre e não pode tirá-la, como um homem que vestiu de manhã o seu fraque, a fim de fazer visitas.

Esfrega as mãos com ânimo, consolador.

— Estou com frio. É de rachar. Deixem me esquentar um pouco—diz com tal expressão como se bastasse esperar um pouco, até ele se esquentar, e, depois disso, daria um jeito em tudo.

— Bem, e então?

Ivan Ilitch percebe que o médico tem vontade de dizer: “Como vão as coisinhas?”—mas que também ele sente que não se pode falar assim, e que por isso diz: “Como passou a noite?”.


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