A Morte de Ivan Ilitch

A Morte de Ivan Ilitch

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O médico, ajoelhado no divã, ainda estava dando as suas batidinhas, quando farfalhou à porta o vestido de seda de Prascóvia Fiódorovna e ouviu-se a sua censura a Piotr, que não lhe comunicara a chegada do doutor.

Ela entra, beija o marido e imediatamente se põe a demonstrar que já se levantara havia muito tempo, e somente em virtude de um mal-entendido não estava ali quando o doutor chegara.

Ivan Ilitch olha para ela, examina-a toda e, no íntimo, censura-lhe a brancura, o fofo, a limpeza dos braços, do pescoço, o lustre dos cabelos e o brilho dos seus olhos repletos de vida. Odeia-a de toda a alma. E, tocado por ela, é obrigado a sofrer de um afluxo de ódio.

A relação dela com ele e com a sua doença é sempre a mesma. Assim como o médico elaborara para si um tipo de relação com os doentes, e da qual ele não podia mais se desfazer, também ela possuía um tipo determinado de relação com ele: Ivan Ilitch sempre deixava de fazer algo que era necessário, ele mesmo era culpado, e ela censurava-lhe isto amorosamente. E elaborado este tipo de relação, ela não podia mais desfazer-se dele.

— Mas ele não obedece! Não toma o remédio na hora. E sobretudo, deita-se numa posição que certamente lhe faz mal: as pernas para cima.


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