A Morte de Ivan Ilitch

A Morte de Ivan Ilitch

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Quando voltou a si, já escurecia; trouxeram-lhe o jantar. Comeu com esforço o caldo; e novamente o mesmo, novamente a noite que chegava.

Depois do jantar, às sete, Prascóvia Fiódorovna entrou no quarto, arrumada para sair, os gordos peitos comprimidos e com vestígios de pó de arroz no rosto. Ainda de manhã, lembrara-lhe que iam ao teatro. Havia um espetáculo de Sarah Bernhardt, e eles tinham um camarote, que fora reservado por insistência de Ivan Ilitch. Ele esquecera isto, e o traje festivo da mulher ofendeu-o. Mas escondeu o seu sentimento de ofensa, quando se lembrou de que ele mesmo insistira em que reservassem um camarote e fossem, porque se tratava de um prazer estético e educativo para os filhos.

Prascóvia Fiódorovna entrou no quarto, satisfeita consigo mesma, parecendo, porém, culpada. Sentou-se um pouco, perguntou pela sua saúde, mas, conforme ele via, unicamente por perguntar e não para se informar, pois sabia que não havia do quê, e começou a dizer aquilo que precisava: que ela não iria de jeito nenhum, mas que o camarote já estava reservado, que iriam Helen, a filha deles e Piétrischev (o juiz de instrução, noivo da filha), e que não se podia deixá-los irem sós. E que para ela seria muito mais agradável ficar com ele. E que não deixasse de seguir, na sua ausência as prescrições do médico.


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