O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Ele desceu; coloquei um banco perto do fogo e lhe ofereci várias coisas gostosas, mas ele se sentia mal e quase não comeu. Todos os meus esforços no sentido de alegrá-lo foram por água abaixo. Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos e permaneceu mergulhado em meditação profunda. Quando perguntei em que pensava, respondeu, de modo grave:
– Estou tentando imaginar como me vingar de Hindley. Não me importo quanto tempo tenha de esperar, desde que no fim consiga o que quero. Espero que ele não morra antes disso!
– Que horror, Heathcliff! – exclamei. – Cabe a Deus castigar os maus. Quanto a nós, devemos aprender a perdoar.
– Não, Deus não vai ter essa satisfação. Ela vai ser minha – retrucou ele. – Só queria saber qual a melhor maneira! Deixe-me sozinho, e vou planejar tudo... enquanto penso nisso, não sofro.
Mas, sr. Lockwood, esqueço-me de que essas histórias talvez não lhe interessem. Que ideia a minha ficar aqui falando sem parar quando seu mingau já está frio, e o senhor cabeceando de sono! Eu poderia ter contado a história de Heathcliff, tudo de que o senhor precisa saber, em meia dúzia de palavras.
COM ISSO, a governanta se levantou e começou a guardar sua costura, mas eu não tinha coragem de me afastar da lareira, e estava muito longe de sentir sono.