O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Fique um pouco mais, sra. Dean – solicitei –, fique mais uma meia hora. Fez a coisa certa ao contar a história sem pressa. É o método de que gosto, e deve terminá-la no mesmo estilo. Estou interessado em cada um dos personagens que mencionou, alguns um pouco mais, outros um pouco menos.
– O relógio vai dar onze horas, meu senhor.
– Não faz mal, não estou acostumado a me deitar cedo. Uma ou duas da manhã é o suficiente para quem só se levanta às dez.
– O senhor não deveria acordar tão tarde. A melhor parte da manhã já passou antes disso. Quem não fez até as dez horas a metade do trabalho que deve fazer no dia corre o risco de também não terminar a segunda metade.
– Mesmo assim, sra. Dean, volte para a sua cadeira, porque amanhã pretendo esticar a noite até de tarde. Estou prevendo uma gripe obstinada, no mínimo.
– Espero que não. Bem, o senhor vai me permitir pular uns três anos. Durante esse tempo, a sra. Earnshaw...
– Não, não vou permitir nada do tipo! A senhora sabe como é o estado de espírito quando estamos sentados sozinhos observando tão atentamente uma gata lamber seu filhote no tapete aos nossos pés que ela se esquecer de uma orelha é motivo suficiente para nos deixar furiosos?