O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes HINDLEY ENTROU, vociferando pragas terrĂveis de se ouvir, e me surpreendeu no ato de esconder seu filho no armĂĄrio da cozinha. Hareton tinha verdadeiro terror tanto dos carinhos animalescos quanto da fĂșria de louco de seu pai. Os primeiros faziam-no correr o risco de morrer esmagado por abraços e beijos, e a segunda, o de ser atirado no fogo ou arremessado contra a parede. O pobrezinho ficava completamente quieto onde quer que eu o colocasse.
â Ah, mas atĂ© que enfim o encontrei! â gritou Hindley, puxando-me pela nuca, feito um cachorro. â Por todos os diabos, estĂŁo tramando matar essa criança! Agora sei por que Ă© que nunca o vejo. Mas com a ajuda de SatĂŁ, vou fazĂȘ-la engolir o facĂŁo, Nelly! NĂŁo ria, acabo de atirar Kenneth de cabeça no pĂąntano de Blackhorse... e matar uma pessoa ou duas dĂĄ no mesmo. Quero matar vĂĄrios de vocĂȘs, e nĂŁo vou descansar enquanto nĂŁo tiver feito isso!
â Mas nĂŁo gosto do facĂŁo, sr. Hindley â respondi. â Ele andou cortando arenque defumado. Prefiro levar um tiro, se nĂŁo se incomodar.
â VĂĄ para o inferno! â disse ele. â AliĂĄs, Ă© para onde vai, mesmo. Nenhuma lei na Inglaterra pode proibir um homem de manter a decĂȘncia em sua casa, e a minha Ă© abominĂĄvel! Abra a boca.