O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Segurando o facão, ele inseriu a ponta entre meus dentes, mas eu nunca sentia medo genuíno de suas maluquices. Cuspi fora e afirmei que o gosto era terrível; não ia de jeito algum engolir aquilo.

– Ah – disse ele, soltando-me –, vejo que esse infeliz não é Hareton. Perdão, Nell; se for, merece ser esfolado vivo por não ter vindo correndo me receber e por gritar como se eu fosse um goblin. Filho desnaturado, venha cá! Vou ensiná-lo a se aproveitar de um pai iludido e bem-intencionado. Não acha, Nelly, que o garoto ficaria melhor de cabelo curto? Deixa os cachorros mais ferozes, e adoro ferocidade... Traga uma tesoura... Ferocidade e cabelo curto! Além do mais, é de uma afetação infernal... uma vaidade dos diabos estimarmos nossas orelhas... já somos burros de sobra sem elas. Quieto, menino, quieto! Ora, ora, é o meu querido! Seque os olhos... pronto; venha me dar um beijo. O quê? Não vai me dar um beijo? Faça o que estou dizendo, Hareton! Diabos, me dê um beijo! Por Deus, como fui gerar tal monstro? Juro que acabo por lhe partir o pescoço.

O pobre Hareton gritava e esperneava com toda força nos braços do pai, e redobrou o volume dos berros quando se viu carregado escada acima e suspenso sobre o corrimão. Exclamei que ele acabaria matando o menino de medo, e corri ao seu socorro.


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