O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Quando os alcancei, Hindley se debruçou no corrimão para ouvir um barulho que vinha de baixo, quase esquecendo o que tinha nas mãos.
â Quem Ă©? â indagou, ouvindo que alguĂ©m se aproximava do pĂ© da escada.
Também me debrucei, com a intenção de fazer um sinal a Heathcliff, cujos passos reconheci, para que não avançasse mais. No instante em que tirei os olhos de Hareton, ele deu um pulo, soltou-se das mãos desatentas do pai e caiu.
Uma onda de horror nos invadiu por um breve instante, até vermos que o menino estava a salvo. Heathcliff chegara lå embaixo no momento exato; movido por um impulso natural, segurou a criança, colocou-a no chão e olhou para cima a fim de descobrir o autor do acidente.
Um avarento que tivesse deixado de comprar um bilhete de loteria por cinco xelins e descoberto no dia seguinte que com isso perdera cinco mil libras nĂŁo teria ficado mais pĂĄlido do que ele ao dar com o sr. Earnshaw lĂĄ em cima. Expressava, melhor do que qualquer palavra, a mais intensa angĂșstia por ter sido ele prĂłprio o instrumento que frustrara sua vingança. Se estivesse escuro, acho que teria tentado remediar o erro esmagando a cabeça de Hareton nos degraus, mas tĂnhamos testemunhado sua salvação, e num piscar de olhos eu estava lĂĄ embaixo com o menino querido aninhado contra o peito.