O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Fitei demoradamente o bloco de pedra gasto pelo tempo; inclinando-me, notei um buraco perto do chão ainda cheio das conchas de caracol e pedrinhas que tanto gostávamos de guardar ali, com outras coisas mais perecíveis. Com a nitidez da realidade, pareceu-me ver meu companheiro de brincadeiras sentado na grama ressecada – a cabeça morena e quadrada curvada para a frente, a mãozinha escavando a terra com um pedaço de ardósia.

– Pobre Hindley! – exclamei, involuntariamente.

Sobressaltei-me. Por um momento, acreditei ver a criança levantar o rosto e me olhar bem nos olhos! A visão se desfez num instante, mas imediatamente senti um desejo irresistível de ir até Heights. A superstição me impeliu a respeitar o impulso – “E se ele tivesse morrido”, pensei, “ou estivesse prestes a morrer?” –, aquele poderia ser um sinal da morte!

Quanto mais me aproximava da casa, mais inquieta ia ficando; ao vê-la, meu corpo inteiro começou a tremer. A aparição fora mais rápida do que eu, estava ali, olhando através do portão. Foi a primeira coisa que me ocorreu ao ver um menino de cabelos cacheados como os de um elfo e olhos castanhos, com o rosto corado de encontro à grade. Refletindo melhor, entendi que devia ser Hareton, o meu Hareton, em nada diferente de quando eu o deixara, dez meses antes.


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