O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Deus o abençoe, meu querido! – exclamei, esquecendo no mesmo instante os meus temores insensatos. – Hareton, é Nelly! Nelly, sua babá.
Ele recuou, saindo do meu alcance, e apanhou uma grande pedra.
– Vim ver seu pai, Hareton – acrescentei, imaginando pelo gesto dele que Nelly, se ainda estivesse presente em sua memória, não fora reconhecida como sendo eu.
Ele ergueu a pedra para atirá-la; comecei a dizer algumas palavras para tranquilizá-lo, mas não consegui deter sua mão. A pedra acertou minha touca. Dos lábios balbuciantes do menino saiu uma torrente de insultos; quer ele os entendesse, quer não, foram pronunciados com grande ênfase e distorciam suas feições de criança, transformando-as numa expressão chocante de malignidade.
Esteja certo de que isso mais me entristeceu do que irritou. Quase chorando, tirei do bolso uma laranja e a ofereci a ele, a fim de apaziguá-lo.
Ele hesitou, mas logo a arrancou da minha mão, como se imaginasse que só pretendia atraí-lo e depois frustrá-lo.
Mostrei uma segunda, mantendo-a fora do seu alcance.
– Quem lhe ensinou a falar assim, menino? – perguntei. – Foi o pároco?