O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – As primeiras flores da primavera em Heights! – exclamou. – Recordam-me a brisa suave do degelo, o sol quente e a neve quase derretida. Edgar, não está soprando um vento do sul, e a neve já não se foi quase por completo?
– A neve já desapareceu por aqui, querida – respondeu seu marido –, e só vejo dois pontos brancos em toda a extensão da charneca. O céu está azul, as cotovias cantam, e os córregos e riachos estão transbordando. Catherine, na última primavera, ano passado, queria muito que você continuasse debaixo deste teto; agora, gostaria que estivesse lá no alto daquelas colinas: a brisa é tão suave que acho que poderia curá-la.
– Só vou voltar lá uma única vez – disse a enferma –, e então você vai me deixar, e vou permanecer lá para sempre. Na próxima primavera, você vai voltar a me querer aqui, debaixo deste teto, e vai olhar com saudade para trás e saber que era feliz.
Linton cobriu-a dos mais gentis carinhos e tentou animá-la com as mais amáveis palavras, mas, olhando vagamente as flores, ela deixou as lágrimas engordarem em seus cílios e correrem pelas faces livremente.
Sabíamos que estava melhor, de fato, e por isso concluímos que o longo confinamento àquele quarto devia ser o responsável por parte daquele abatimento e que talvez ela melhorasse com uma mudança de ambiente.