O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Edgar Linton deitara a cabeça no travesseiro e tinha os olhos fechados. Suas jovens e belas feições estavam quase tão cadavéricas quanto as do vulto ao seu lado, e quase igualmente fixas; mas no caso dele tratava-se da quietude causada pela angústia exaurida, e no caso dela de perfeita paz. A fronte lisa, as pálpebras fechadas, os lábios com a expressão de um sorriso – um anjo no céu não teria parecido mais belo do que Catherine. E eu compartilhava da calma infinita em que ela jazia. Minha mente nunca esteve mais próxima do sagrado do que ao contemplar aquela imagem imperturbada do repouso divino. Ecoei, instintivamente, as palavras que ela pronunciara algumas horas antes: “Incomparavelmente acima de todos nós! Quer ainda esteja na terra ou, agora, no céu, seu espírito está unido a Deus!”

Não sei se é uma peculiaridade minha, mas raramente deixo de me sentir feliz velando um morto, se nenhum dos presentes, delirante ou desesperado, vier a dividir comigo seu fardo. Vejo um repouso que nem a terra nem o inferno podem interromper, e sinto uma reafirmação da outra vida, que há de ser infinita e imaculada – a Eternidade em que ingressaram –, onde a existência é ilimitada em sua duração, e o amor em sua compaixão, e a alegria em sua completude. Notei, nessa ocasião, quanto egoísmo está presente até mesmo num amor como o do sr. Linton, quando ele tanto lamentava a abençoada liberação de Catherine!


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