O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Claro, podia-se duvidar, após a existência instável e inquieta que ela levara, se merecia por fim a paz celestial. Podia-se duvidar em momentos de fria reflexão, mas não ali, diante do seu cadáver. Ele transmitia uma tranquilidade própria, que parecia um sinal de igual tranquilidade de quem antes o habitara.

Acredita que tais pessoas sejam felizes no outro mundo, senhor? O que eu não daria para saber!

Recusei-me a responder à pergunta da sra. Dean, que me pareceu um tanto heterodoxa. Ela prosseguiu:

– Recordando a vida de Catherine Linton, temo não ter o direito de achar que sim; mas vamos deixá-la com o seu Criador.

O patrão parecia ter adormecido, e me aventurei, assim que o sol nasceu, a sair do quarto e respirar um pouco de ar puro. Os criados acharam que eu tinha ido repousar um pouco após a prolongada vigília; na verdade, meu principal motivo era falar com o sr. Heathcliff. Se tivesse passado a noite toda em meio aos pinheiros, nada teria ouvido da agitação em Grange; a menos, talvez, que tivesse escutado o galope do mensageiro a caminho de Gimmerton. Se tivesse se aproximado, provavelmente teria se dado conta, pelo movimento das luzes de um lado a outro, e pelo abrir e fechar das portas da casa, de que algo de anormal transcorria.


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