O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Desejava e temia encontrá-lo. Sentia que devia lhe transmitir a terrível notícia, e ansiava terminar logo com aquilo; como fazê-lo, porém, eu não sabia.

Lá estava ele – a alguns metros de distância, no parque; recostado contra o tronco de um velho freixo, o chapéu na mão e o cabelo ensopado com o orvalho que se acumulara nos galhos cheios de brotos e pingara sobre ele. Fazia muito tempo que estava naquela posição, pois vi um casal de melros voando de um lado a outro a menos de um metro dele, ocupado na construção de um ninho, considerando sua proximidade não mais perigosa que a de um pedaço de madeira. Voaram quando me aproximei, e ele ergueu os olhos e exclamou:

– Ela morreu! Não esperei aqui para ouvir isso. Guarde o lenço, não choramingue diante de mim. Malditos sejam todos vocês! Ela não quer as suas lágrimas!

Eu chorava tanto por ele quanto por ela: às vezes nos apiedamos de criaturas que não sabem o que é se apiedar delas mesmas ou dos outros. Quando olhei para o rosto dele, percebi de imediato que já sabia o que acontecera; uma ideia tola me ocorreu: a de que seu coração se acalmara e ele rezava, porque seus lábios se moviam e seu olhar estava voltado para o chão.


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