O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes â Sim, ela morreu! â respondi, contendo os soluços e enxugando o rosto. â Foi para o cĂ©u, espero; onde poderemos, todos nĂłs, nos juntar a ela, se tomarmos o cuidado de abandonar o caminho do mal e seguir o do bem!
â Quer dizer que ela tomou esse cuidado, entĂŁo? â perguntou Heathcliff, tentando ironizar. â Morreu como santa? Vamos, conte-me como aconteceu. Como foi que...?
Ele tentou pronunciar o nome, mas nĂŁo conseguiu. Comprimindo os lĂĄbios, lutava silenciosamente contra a agonia Ăntima, enquanto desafiava a minha simpatia com um olhar firme e feroz.
â Como foi? â prosseguiu, por fim, grato por ter um apoio Ă s suas costas, apesar da aparente firmeza; pois, apĂłs tanto esforço, ele tremia, contra sua vontade, atĂ© as pontas dos dedos.
âPobre infeliz!â, pensei. âTem coração e nervos, assim como seus semelhantes! Por que tanta agonia para escondĂȘ-los? Seu orgulho nĂŁo tem como iludir a Deus! VocĂȘ O desafia a dobrĂĄ-lo, e Ele vai acabar fazendo-o soltar um grito de humilhação.â
â Mansa como um cordeirinho! â respondi, em voz alta. â Suspirou e esticou o corpo, como uma criança acordando e voltando a pegar no sono; cinco minutos depois, senti uma Ășltima batida dĂ©bil de seu coração, e nada mais!