O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – E... ela por acaso mencionou meu nome? – indagou, hesitante, como se temesse que a resposta trouxesse consigo detalhes que não toleraria ouvir.
– Não recuperou os sentidos... não reconheceu mais ninguém desde o instante em que o senhor a deixou – falei. – Jaz com um sorriso tranquilo no rosto, e seus últimos pensamentos foram visitas aos dias prazerosos do passado. Sua vida se encerrou num sonho suave... que ela desperte com a mesma doçura do outro lado!
– Que ela desperte em meio ao tormento! – exclamou ele, com assustadora veemência, batendo o pé e grunhindo num ataque súbito de paixão irrefreável. – Ora, ela mentiu até o fim! Onde está? Não está lá... não no céu... não se foi... onde? Ah, você disse que não se importava com meus sofrimentos! E rezo uma única oração, que hei de repetir até perder o fôlego: Catherine Earnshaw, que você não encontre descanso enquanto eu viver. Disse que a matei... venha me assombrar, então! As vítimas assombram até mesmo seus assassinos. Acredito... sei que há fantasmas perambulando pela terra. Fique comigo sempre, assuma a forma que quiser, faça-me enlouquecer! Só não me deixe neste abismo onde não posso encontrá-la! Ah, meu Deus! É indizível! Não posso viver sem a minha vida! Não posso viver sem a minha alma!