O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Deve ser dito, porém, que tinha defeitos fazendo par a essas qualidades. Um deles era a tendência a ser insolente, e também uma certa perversidade, que as crianças mimadas invariavelmente adquirem, tenham elas temperamento fácil ou difícil. Se um criado por acaso a contrariava, era sempre “Vou contar ao papai!”. E se ele a reprovava, por um olhar que fosse, parecia o fim do mundo. Acho que o patrão nunca disse a ela uma palavra mais dura.
Assumiu integralmente a tarefa de educá-la, e fez disso uma distração. Felizmente, a curiosidade e um intelecto ágil tornaram-na uma boa aluna: aprendia rápido e com avidez, honrando a dedicação do pai como professor.
Até chegar aos treze anos, nunca estivera fora dos limites do parque sozinha. Em raras ocasiões, o sr. Linton levava-a com ele por um quilômetro ou dois, mas não a deixava aos cuidados de mais ninguém. Gimmerton era um nome que nada evocava aos seus ouvidos; a capela, o único lugar do qual se aproximava ou no qual entrava, à exceção de sua própria casa. Wuthering Heights e o sr. Heathcliff não existiam para ela. Tratava-se de uma perfeita reclusa – e parecia muitíssimo contente com isso. Às vezes, contudo, enquanto observava a região da janela do seu quarto, comentava:
– Ellen, quando é que vou poder andar até o alto daqueles morros? O que há do outro lado... é o mar?