O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Não, srta. Cathy – eu respondia –, são outros morros, iguais a esses.
– E como são aquelas rochas douradas quando a gente fica debaixo delas? – perguntou, certa vez.
O abrupto declive de Penistone Crags atraía particularmente sua atenção, sobretudo quando o sol poente brilhava nos seus pontos mais altos e todo o resto da paisagem ficava imerso em sombras.
Expliquei que eram rochas nuas e que mal tinham terra suficiente em suas fendas para permitir o crescimento de árvores mirradas.
– E por que é que continuam tão iluminadas muito depois de ter escurecido aqui? – insistiu.
– Porque estão a uma altura bem maior do que a nossa – respondi. – A senhorita não poderia subir nelas, são altas e íngremes demais. No inverno, a geada chega lá antes de chegar aqui, e no auge do verão já vi neve debaixo daquele buraco preto, do lado nordeste!
– Ah, você já esteve lá! – exclamou ela, entusiasmada. – Então também vou poder ir, quando crescer. Papai já esteve lá, Ellen?
– O seu pai lhe diria, senhorita – respondi, apressadamente –, que não vale a pena visitar aquele lugar. A charneca, por onde caminha com ele, é muito mais interessante; e Thrushcross Park é o lugar mais lindo do mundo.