O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes O peitoril, onde coloquei minha vela, tinha alguns livros embolorados empilhados a um canto, e estava coberto de palavras talhadas na tinta. A escrita, porém, nada mais era do que um nome repetido em todos os tipos de letra, pequenas e grandes – “Catherine Earnshaw”, aqui e ali alterado para “Catherine Heathcliff” e depois para “Catherine Linton”.
Tomado pela letargia, apoiei a cabeça no peitoril e continuei a ler Catherine Earnshaw... Heathcliff... Linton... até meus olhos se fecharem. Mas não fazia cinco minutos que eles haviam descansado quando um brilho de letras brancas surgiu na escuridão, vívidas como espectros; o ar estava tomado por Catherines, e, erguendo-me para dissipar a imagem do nome inoportuno, percebi que o pavio da minha vela encostava num dos livros antigos, enchendo o lugar com um cheiro de couro queimado.
Soprei o pavio e, muito indisposto devido ao frio e à náusea, sentei-me e abri sobre os joelhos o volume queimado. Era uma Bíblia, em tipo pequeno e cheirando horrivelmente a mofo; a folha de rosto trazia a inscrição “Pertence a Catherine Earnshaw”, e uma data, de um quarto de século antes ou coisa assim.