O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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– Vou guardar uma, sua desgraçada! – gritou ela, metendo a mão no fogo e tirando dali alguns fragmentos parcialmente consumidos, à custa dos próprios dedos.

– Muito bem, e vou guardar algumas para mostrar ao seu pai! – respondi, separando o resto e me virando de novo para a porta.

Catherine jogou os pedaços enegrecidos de papel de volta nas chamas e fez um gesto para que eu concluísse a imolação. Assim fiz; agitei as cinzas e as enterrei debaixo de um punhado de carvões, enquanto ela se retirava aos seus aposentos, calada e aparentando estar muito ofendida. Desci para dizer ao patrão que o mal-estar da filha já tinha quase passado, mas que julgava melhor ela ficar deitada um pouco.

Ela não quis almoçar, porém reapareceu na hora do chá, pálida, os olhos vermelhos, mas com aparência externa de extraordinária tranquilidade.

Na manhã seguinte, respondi à carta com um bilhete que dizia: “Pede-se ao jovem sr. Heathcliff que não mande mais bilhetes à srta. Linton, pois não lhe serão entregues.” Daquele dia em diante, o rapazinho passou a vir de bolsos vazios.


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