O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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Cathy ficou olhando por um bom tempo para a flor solitária tremulando em seu abrigo terreno, e respondeu, por fim:

– Não, não vou tocar nela. Mas tem um aspecto melancólico, não tem, Ellen?

– Sim – observei –, quase tanto quanto a senhorita. Suas faces estão sem cor, me dê a mão e vamos correr. Está tão fraquinha que aposto que consigo acompanhá-la.

– Não – repetiu ela, e continuou caminhando, parando de vez em quando para contemplar musgos, um tufo de relva ressecada ou um fungo espalhando seu tom de laranja em meio aos montes de folhagem marrom; de tempos em tempos levava a mão ao rosto.

– Catherine, por que está chorando, meu bem? – perguntei, aproximando-me e passando o braço sobre seus ombros. – Não chore só porque o papai está resfriado; dê graças a Deus por não ser algo pior.

Ela não refreou mais as lágrimas, e os soluços a sufocaram.

– Ah, mas vai piorar – disse. – E o que vou fazer quando você e o papai me deixarem e eu ficar sozinha? Não consigo esquecer suas palavras, Ellen; estão sempre ecoando nos meus ouvidos. Como a vida vai mudar, como o mundo vai ser quando o papai e você tiverem morrido.


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