O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Olhei ao redor em busca de alguma coisa que pudesse distrair seus pensamentos. Numa ribanceira alta e acidentada de um dos lados da estrada, aveleiras e carvalhos mirrados, com as raízes meio expostas, seguravam-se com dificuldade. O solo não era firme o bastante para os carvalhos; os ventos fortes tinham deixado alguns deles quase horizontais. No verão, a srta. Cathy deleitava-se em subir naqueles troncos e sentar-se nos galhos, balançando-se seis metros acima do chão; e eu, satisfeita em ver sua agilidade e seu coração alegre e infantil, ainda considerava apropriado repreendê-la todas as vezes que a via lá no alto, mas de modo que ela soubesse não haver necessidade de descer. Ficava deitada em seu berço embalado pela brisa, da hora do almoço até o chá, sem fazer nada a não ser cantar antigas canções para si mesma – as cantigas de ninar que aprendera comigo; ou observar os pássaros, inquilinos comuns, alimentando os filhotes e ensinando-os a voar; ou aninhar-se com os olhos fechados, meio sonhando, mais feliz do que as palavras poderiam expressar.
– Olhe, senhorita! – exclamei, apontando para um canto sob as raízes de uma árvore retorcida. – O inverno ainda não chegou. Há uma florzinha logo ali, o último broto daquela infinidade de campânulas que em julho cobriam com uma névoa lilás aqueles degraus na grama. Não quer subir ali e colhê-la, para mostrar ao seu pai?