O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Deixe-me quieto, pelo menos – disse ele. – Não suporto ouvi-la falar.
Cathy permaneceu ali e resistiu durante um bom tempo aos meus pedidos de que fôssemos embora; mas como ele nem erguia o rosto nem falava, por fim ela resolveu se dirigir à porta, e eu a acompanhei.
Um grito nos chamou de volta. Linton escorregara de sua poltrona para o chão em frente à lareira e se contorcia todo, com a perversidade de uma criança mimada, determinada a ser o mais impertinente possível.
Percebi, por seu comportamento, exatamente quais eram suas intenções, e logo vi que seria tolice tentar melhorar-lhe o ânimo. O mesmo não aconteceu com minha companheira. Ela correu de volta até ele, aterrorizada, ajoelhou-se e chorou, tentando acalmá-lo, até que ele se aquietou por falta de ar – e não por remorso de tê-la deixado tão aflita.
– Vou levá-lo para o sofá – falei –, e ele vai poder rolar o quanto quiser, não podemos ficar aqui para vigiá-lo. Espero que esteja satisfeita, srta. Cathy, e convencida de que não é a pessoa indicada para ajudá-lo; e de que o estado de saúde dele não é causado pelos sentimentos que tem pela senhorita. Pronto, aqui está ele! Agora vamos, assim que ele souber que não há ninguém aqui para ficar dando importância aos seus caprichos, vai ficar quietinho deitado.