O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Já foram reatadas! – resmungou Cathy, emburrada.
– Não devem ser continuadas, então! – falei.
– Veremos! – foi sua resposta, e se lançou num galope, deixando-me para trás.
Ambas chegamos em casa antes da hora do nosso almoço. Meu patrão supunha que estávamos passeando pelo parque, de modo que não pediu explicações sobre a nossa ausência. Assim que entrei, fui logo trocar meus sapatos e meias encharcados, mas ter ficado sentada por tanto tempo em Heights fizera o estrago. Na manhã seguinte não consegui me levantar, e por três semanas fiquei incapacitada de cumprir minhas tarefas: uma calamidade jamais ocorrida até aquele momento, e nunca mais depois, felizmente.
Minha jovem patroa portou-se como um anjo, vindo cuidar de mim e alegrar-me em minha solidão; o confinamento me deixava muito deprimida. É algo enfadonho para uma pessoa ativa, mas poucos terão menos razões para se queixar do que eu. No instante em que Catherine deixava o quarto do sr. Linton, aparecia à cabeceira da minha cama. Dividia seus dias entre nós dois, e nenhuma diversão lhe tomava o tempo. Negligenciava as refeições, os estudos e qualquer divertimento que fosse; era a enfermeira mais devotada que já existiu. Devia ter um coração enorme, para amar tanto o pai e ainda se dedicar a mim!